Preces à Primavera — Final

Uma longa história inacabada


Há uma semana atrás, no início da primavera, comecei um projeto específico. A estação estava mudando e eu não queria deixar passar simplesmente. Decidi fazer da primavera minha confidente, um par de ouvidos necessários aos quais entreguei emoções amplas e confusas e sentimentos até que bem direcionados.

Era preciso voltar a escrever depois de tanto tempo. Antes que essa coisa que tem me tomado já faz algum tempo se tornasse real e eu realmente deixasse de criar, de contar, de dizer. Não sei se sou um contador de histórias, mas com certeza sei que tento fazer isso. Eu tento contar histórias o tempo todo. Há algum poder nisso! Ainda que tenha recomeçado pela poesia e o texto (hoje) associado à contação de histórias seja a prosa, acho que justifico minhas tentativas nas imagens que formei.

Primeiro foi preciso voltar ao bosque, o que pode ser uma referência aos Bosques da Ficção, de Umberto Eco, ou só a memória dos Contos do Bosque, uma coluna que já tivemos aqui neste pequeno espaço e que já é passado. No fim, saibam, o Bosque e seus Contos era só um par de jovens poetas — o do beco e o da beca, diz alguém aí — fazendo do fim de uma adolescência real a matéria para uma ficção pueril. E acho que foi terapêutico para o articulista principal, mas isso só ele poderá dizer.

Era 2009 quando fui convidado a integrar esse pequeno castelo de areia… Caralho, 2009! Puta que o pariu, são 12 anos?! 12 fucking anos! Tá… Não foram assim lá 12 anos de trabalho contínuo; foi um negócio que fizemos pegar no tranco como aquele carro velho que a gente insiste em amar mesmo quando a família enche a medida pra gente vender. Todos os outros têm vergonha de andar na lata velha, mas a gente ama e finge que não fica pistola quando ele enguiça.

Preces à Primavera Pt. 7

Por que é raro ver flores solitárias?

Ciclo


A primavera é o esforço de muitos
Um besouro, um zangão e as formigas,
Construtores de mundos.
Natureza é união de forças antigas.

O fruto não cai longe do pé.
Um sonho se mede com o olhar,
Com a visão do coração.
Com a mente tente sempre colocar
O chapéu ao alcance da mão.

Preces à Primavera Pt. 6

A arte e as plantas precisam de paciência e disposição, mas precisam de atitude sobretudo.

A poesia e o jardim


Às vezes a poesia cresce feito avenca,
Às vezes se enrosca no muro das emoções.
À sombra de afetos ruins ela despenca.

Invade qual a hera que enche a pérgula,
Guardando terra que prospera em rincões
Onde verdeja oculta a alegria, feito pérola.

Preces à Primavera Pt. 5

Há coisas na vida que nem passam pelo campo das nossas decisões, mas acontecem mesmo assim.

Um diálogo com as plantas


Quantas vezes fazemos o que não queremos?
Quantas vezes é preciso provar algo a alguém?
Á banca, à família, ao mundo, a nós mesmos…

Mas e as flores, primavera?
Por que nascem?
Por que cheiram?

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